1,7 milhão de pessoas foram infectadas pelo HIV em 2018

Cerca de 1,7 milhão de pessoas em todo o mundo foram infectadas pelo vírus HIV em 2018, segundo o levantamento do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), divulgado nessa terça-feira (16). Esse número representa uma redução de 16% em relação a 2010. O documento Atualização Global sobre a Aids – Comunidades no centro revela que a queda foi impulsionada principalmente por progressos no leste e no sul da África.

O relatório Communities at the centre (Comunidades no centro, na tradução livre para o português) foi lançado em Genebra, na Suíça, e em Eshowe, na África do Sul. Na América do Sul, Brasil, Chile e Bolívia acenderam a luz amarela quando o assunto é o número de novas infecções.

A preocupação é que, apesar dos esforços desenvolvidos, como métodos de prevenção combinada, esse número continua crescendo entre grupos específicos, como gays, transexuais, profissionais do sexo e homens detidos no sistema prisional brasileiro. Sem o Brasil nessa tabela, a América Latina teria registrado uma queda de 5% nas ocorrências. Com a presença do maior país sul-americano, a alta contabilizada foi de 7%.

“A epidemia do HIV pôs em foco muitas falhas da sociedade. Onde há desigualdades, desequilíbrios de poder, violência, marginalização, tabus, estigma e discriminação, o HIV toma conta”, avalia a diretora do Unaids, Gunilla Carlsson.

O estudo inclui avanços para que se tenha, até 2020, 90% das pessoas com HIV devidamente diagnosticadas, 90% delas realizando tratamento com antirretrovirais e, deste grupo, 90% com carga viral indetectável.

O estudo revela ainda que menos de 50% das populações-chave foram atingidas com serviços combinados de prevenção ao HIV, problema relatado em mais da metade dos países pesquisados. Segundo o Unaids, isso seria um indicativo de que elas estão sendo marginalizadas e deixadas para trás na resposta ao HIV.

Globalmente, as novas infecções por HIV entre mulheres jovens (com idade entre 15 e 24 anos) caíram 25% entre 2010 e 2018. “Esta é uma boa notícia, mas, é claro, continua a ser inaceitável que 6 mil meninas adolescentes e mulheres jovens sejam infectadas pelo HIV toda semana. A saúde sexual e reprodutiva e os direitos das mulheres e jovens muitas vezes ainda são negados”, aponta Gunilla Carlsson.

17/07/2019

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